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História da Freguesia de Avanca - Parte I
Por Rui Jorge Pinto Teixeira (Administrador do Jornal), em 2011/12/122540 leram | 0 comentários | 239 gostam
Uma resenha da História da freguesia, pertinente contribuição do leitor Marco Pereira.

Os mais antigos vestígios de ocupação humana em Avanca encontram-se gravados na toponímia. São os casos de dois monumentos líticos desaparecidos (o lugar de Arcã e o lugar da Mamôa, na Rua Nova), e dos topónimos pré-romanos Avanca e possivelmente Tonce. São exemplos de toponímia germânica, da Alta Idade Média, lugares Roçomil, Gonde, Meições e Bretufe.

As primeiras referências escritas a terras de Avanca remontam ao século X. No primeiro caso menciona-se um Mosteiro de Santa Marinha (922), cuja incerta localização é geralmente atribuída a Avanca, sendo de notar a este propósito aludir-se a Porta de Mosteiró em Avanca em 1257. Um segundo documento respeita a Fontela, Villa Dagaredi (Válega) e salinas (929). Quanto ao nome de Avanca escreve-se primeiro em 1046, 1097 e 1140.
Em 1257 D. Afonso III doou o Couto de Antuã, composto pelas villas de Antuã e Avanca, ao Mosteiro de Arouca, ao qual pertenceu até meados do século XIX. Antuã recebeu foral em 1519. Nesta divisão, que era a civil, apenas dois terços da freguesia de Avanca pertenciam ao concelho de Antuã, depois designado de Estarreja, pertencendo a terça parte remanescente à Feira e uma pequena porção a Bemposta. Foram estas as fronteiras civis que persistiram até ao Liberalismo, cerca de 1835. Avanca foi promovida à categoria de vila em 1973.

Do ponto de vista eclesiástico a Reitoria de Santa Marinha de Avanca foi, no Antigo Regime, uma Comenda da Ordem de Cristo, da qual dependiam os curatos de Pardilhó, Bunheiro, Loureiro e Madail. O edifício da igreja de Avanca (início do século XVIII) é o mais importante monumento eclesiástico de Estarreja.

Com a introdução do milho grosso na agricultura, no início do século XVI e fruto das descobertas marítimas, houve um significativo aumento da população, que terá favorecido a autonomia dos dois curatos marinhões (Pardilhó e Bunheiro), no fim do mesmo século XVI. A agricultura continuou como actividade dominante até ao início do século XX.

No entanto teve alguma importância, no lugar de Fontela, a actividade industrial do fabrico de telha, pujante no século XIX, e referenciada desde 1526, por isso a mais antiga indústria do concelho de Estarreja. Só no século XX aparecem outras actividades de relevo, como: a J. C. Coimbra (1946), ligada ao engarrafamento de azeite; a Cires (1963), fábrica japonesa de PVC; a fabricante de colchões Joviflex (1973); ou grandes explorações pecuárias de bovinos e de coelhos.
Mas a mais importante indústria da história de Avanca é a de lacticínios, tendo particular fama a manteiga. No início do século XX apenas estavam activas algumas pequenas desnatadeiras, com produção artesanal na região do leite “massado”. Uma primeira fábrica de lacticínios surgiu no concelho de Estarreja, propriedade do Visconde de Salreu. Fruto de uma sociedade nasceu em Avanca a Sociedade de Produtos Lácteos (1923), mais tarde adquirida pela multinacional suíça Nestlé (1934). Com a hegemonia da Nestlé, as pequenas empresas de lacticínios extinguiram-se ou fundiram-se, caso da Nunes, Rodrigues & C.ª / A Lacticínia / Laclé (1939-1998/9). Uma terceira empresa de razoável dimensão foi a Fábrica de Lacticínios de Avanca, anterior a 1938, mais tarde adquirida pela Favorita de Lisboa, e finalmente pela Nestlé em 1960.
Outra indústria importante de Avanca é a do fabrico de móveis de ferro, que tem início na década de 1920, com a criação das empresas Adico (de Adelino Dias Costa) e Janeves (de João António Narciso Neves e dois outros sócios). Em 1939 juntou-se-lhes a João António S. Borges, e em 1959 a Mofel, Mobiliário de Ferro, Limitada.


(continua na Parte II)

Marco Pereira
Advogado em Estarreja


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